Filha acusa mãe de coação para forjar união estável e receber pensão em Americana

Por Redação 26/06/2026 às 09:00

Foto: Thiago Ramos / Portal SBNotícias

Um caso complexo envolvendo acusações de manipulação psicológica, uso de medicamentos controlados e suposta fraude previdenciária foi registrado na Polícia Civil de Americana. 

Uma jovem de 29 anos procurou as autoridades para denunciar a própria mãe, alegando ter sido coagida a falsificar um documento que garantiu à matriarca o recebimento de uma pensão por morte de funcionário público.

O Boletim de Ocorrência foi registrado no 4º Distrito Policial do município. De acordo com o depoimento da declarante, os fatos começaram a se desenhar anos atrás, após a separação judicial de seus pais.

Segundo o relato da vítima à polícia, no ano de 2019, sua mãe exigiu que ela assinasse, de forma falsificada, um contrato de união estável retroativo entre sua mãe e o seu ex-marido.

A jovem afirma que, na época, sofria intensa pressão psicológica e era dopada pela mãe com medicamentos de uso controlado, como Rivotril e Alprazolam. Sob a ameaça de ser expulsa de casa e "morar na rua", e em um estado de vulnerabilidade provocado pelas substâncias, ela acabou cedendo e assinando o documento. 

O ex-marido que segundo o relato estava acamado na ocasião, faleceu dois anos depois, em 2021 e com o documento forjado em mãos, Sueli passou a figurar oficialmente como viúva e beneficiária da pensão deixada pelo falecido, que era servidor público.

A decisão de procurar a polícia ocorreu anos após a morte do pai e a vítima declarou que só tomou plena consciência da gravidade da situação recentemente, ao constatar que a mãe estaria retendo e se apossando de valores financeiros que, por direito, deveriam pertencer a ela e aos seus irmãos.

Por determinação da autoridade policial, o caso foi registrado inicialmente como uma ocorrência não criminal e o delegado responsável ressaltou que, no momento do registro, a declarante não apresentou documentos físicos ou provas materiais que pudessem embasar de imediato uma tipificação criminal.

A natureza do registro poderá ser modificada posteriormente no decorrer das apurações e o caso foi encaminhado para a apreciação do delegado titular do distrito policial, que avaliará a abertura de um inquérito para investigar as denúncias de estelionato, falsidade ideológica e coação.