Custo com salários na Câmara de Santa Bárbara quase dobrará a partir de 2027 com novos cargos e mais 19 assessores

Por Redação 14/07/2026 às 10:20

(Foto: Arquivo SBNoticias)

Os vereadores de Santa Bárbara d’ Oeste aprovaram na sessão ordinária do dia 23 de junho, a penúltima antes do recesso parlamentar, as leis municipais nº 4.805/2026 e 4.806/2026, alterando a estrutura administrativa organizacional da Câmara Municipal e a lei nº 4.806/2026, 2026 dispõe sobre o Quadro de Empregos Públicos e Cargos Públicos em Comissão.

O impacto financeiro mensal com essas medidas, quase dobrará entre 2026 e 2027, conforme análise da advogada dra. Sandra Macedo. O salto nas despesas com salários e encargos será de 85%.

As alterações, conforme informou a Procuradoria da Câmara, ocorreram “para adequar as normas da Câmara aos mais recentes entendimentos dos órgãos de controle, ajustes que são naturais com o passar dos anos para aperfeiçoar a dinâmica administrativa e de pessoal.” Também foi aprovado na sessão do dia 23, a contratação de mais um assessor parlamentar, atendendo “à necessidade advinda da demanda atual dos vereadores”. Agora, cada um dos 19 vereadores conta com 1 assessor parlamentar com salário de R$ 2.950,46 e 1 chefe de gabinete com salário de R$ 7.440,80.

Criação de vagas e reajuste salarial: A reestruturação aprovada pelos parlamentares prevê a criação de um segundo cargo de assistente para cada um dos vereadores. A mudança representa a abertura de 19 novas vagas diretas nos gabinetes. Além dos assessores, a estrutura interna da própria Casa de Leis ganhará 3 novos cargos administrativos. O texto aprovado também modificou as tabelas de referência salarial da instituição. A alteração eleva o valor dos vencimentos pagos atualmente.

 Impacto nas contas públicas: O estudo de impacto financeiro apresentado pela própria Mesa Diretora da Câmara projeta um crescimento acentuado das despesas. Os gastos anuais com a folha de pagamento comprometerão 62,31% do orçamento total do Legislativo até o ano de 2028.

As leis municipais números 4.805/2026 e 4.806/2026 foram publicadas no Diário Oficial da Câmara nos dias 3 e 4 de julho.  

Em 2015 a Justiça determinou a exoneração de 38 dos 57 comissionados que atuavam na Câmara, número considerado desproporcional pelo Ministério Público, comparado aos cargos por concurso, que eram 64. Os vereadores justificam a necessidade de dois funcionários, o chefe de gabinete para cuidar das atividades de gabinete enquanto o assessor parlamentar atuará nas ruas, atendendo as demandas de cada região.

A promotoria alegou na ação, entre outros itens, que a manutenção de três assessores para cada vereador revelava “a ineficiência do trabalho, já que cada um deles redigiria 12 documentos por mês, o que significa 0,6 por dia, em média” e que a maior parte dos serviços dos assessores é operacional e que não há controle formal sobre o trabalho de cada um. Para a Justiça, a Câmara desrespeitava o princípio da razoabilidade ao manter um número de comissionados quase semelhante ao de cargos por concurso. A mudança no entendimento jurídico e na legislação municipal, segundo a Câmara, deu respaldo para a ampliação dos cargos comissionados.