Santa Bárbara d'Oeste, única cidade fundada por uma mulher, Dona Margarida da Graça Martins; uma mulher à frente de seu tempo

Por Redação com informações do CEDOC-Fundação Romi 08/03/2023 às 08:20

(Foto: Arquivo/Divulgação F. Romi)

Santa Bárbara d'Oeste é uma cidade com singularidades e marcos de pioneirismo.

Vamos relembrar:

- O primeiro automóvel produzido no Brasil (Romisetta),

- O primeiro trator (Toro),

- O primeiro torno CN (comando numérico)

- Possui o único cemitério norte-americano fora dos Estados Unidos,

- É considerada a primeira região do Brasil a usar arados de metal, tendo sido os primeiros arados de modelo nacional (arado Santa Bárbara) produzidos na então barbarense Vila Americana,

- É o berço da primeira Igreja Batista em solo brasileiro, formada em 10 de setembro de 1871.

Nesse dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, uma outra característica pioneira e singular é sobre sua fundadora, Dona Margarida da Graça Martins.

Documentos oficiais sustentam ser Santa Bárbara d’Oeste a única cidade brasileira fundada por uma mulher. Em tempos em que o papel feminino na sociedade estende-se a inúmeras atividades e responsabilidades, chegando a dominar em muitas áreas, o pioneirismo de Dona Margarida numa época de muitas restrições às mulheres é emblemático e deve servir de inspiração para as cidadãs barbarenses.

Então, vamos recordar um pouco a vida de Dona Margarida da Graça Martins:

Margarida da Graça Martins, filha única de Manoel José da Graça e Anna Maria Cardoso, nasceu em Santos no dia 27 de novembro de 1782, onde cresceu e conheceu as técnicas de fabricação do açúcar, pois sua família tinha um pequeno engenho.

Casou-se, obrigada pelos pais, aos 13 anos, com José Paschoal de Lima, morador de São Paulo, um comerciante de tecidos de 37 anos (muito idoso para a jovem Margarida), com quem não teve filhos e do qual ficou viúva três anos após o casamento, tendo vendido o comércio e voltado a morar com os pais.

Aos 26 anos casou-se novamente com o sargento-mor Francisco de Paula Martins, de 27 anos, com o qual teve 5 filhos: Ângela, Manoel Francisco, Ana Margarida, Maria (que faleceu ainda criança) e Belchior Francisco.

Com a morte do pai em 1810 e depois a do seu segundo marido em 1815, Dona Margarida tornou-se herdeira de propriedades e escravos. Passou então a comandar os negócios da família, comprando uma sesmaria de duas léguas quadradas numa região ainda sertão, pertencente à 4ª. Comarca de Porto Feliz, delimitada ao norte pelo rio Piracicaba e a nordeste pelo Ribeirão Quilombo, para onde transferiu-se com seus 4 filhos, todos menores, parentes, agregados e escravos em 1817.

Em suas novas terras formou uma fazenda de engenho de cana-de-açúcar, para produção de açúcar mascavo. Passado algum tempo, Dona Margarida doou uma parcela de terras à Cúria Paulistana para construção de uma capela em taipa em homenagem à Santa Bárbara, santa de sua devoção, com a consequente fundação de um povoado em seu redor. Assim nasceu a primitiva Santa Bárbara dos Toledos, O Porquê do Nome Santa Bárbara d'Oeste Como a capela foi erguida em 1818, a data da fundação de Santa Bárbara d'Oeste é considerada 4 de dezembro daquele ano.

Em 1821 a fundadora do povoado e seus filhos já não residiam mais em Santa Bárbara, tendo voltado para Santos para administrar as propriedades recebidas como herança de seus pais. Posteriormente, a família de Dona Margarida transferiu-se para São Paulo, onde ela faleceu em 13 de julho de 1864 com 81 anos, sendo sepultada no Cemitério da Consolação.

No dia 4 de dezembro de 1967 seus restos mortais foram transferidos para a Praça Coronel Luís Alves, no centro de Santa Bárbara d'Oeste. Ao que consta, esses restos morais desapareceram depois de uma reforma na praça e não há notícias sobre o que teria ocorrido.

Como não considerar pioneira uma mulher que foi além do seu papel esperado para os tempos em que vivia? Como muitas outras mulheres que deixaram sua marca e contribuição à frente de seu tempo, Dona Margarida da Graça Martins também o fez, deixando assim, para a cidade, essa característica singular, a de ser a única cidade brasileira fundada por uma mulher.

A história de Dona Margarida deve ser continuamente divulgada para servir de parâmetro e exemplo às mulheres (e homens também, por que não?) que querem deixar um legado para o futuro. Não é preciso que seja tão grande e importante esse legado (como o início de uma nova cidade). Basta ser uma contribuição, o que certamente fará diferença em nosso pequeno mundo! Em nome da fundadora desta cidade, cumprimentamos todas as mulheres pela data de hoje!.