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PMs em busca de salários dignos


Os policiais militares paulistas começam, através de suas entidades representativas, a campanha salarial de 2016. O propósito é sensibilizar o governador e sua assessoria econômica de que não é mais possível a classe continuar trabalhando com os salários atuais e a falta de condições gerais para desempenhar sua alta função de defesa da sociedade. Há três anos, o policial militar paulista não tem reajuste salarial. Em vez de corrigir seus ganhos, o governo encontrou a atividade delegada, que pelas circunstâncias alguns classificam como serviço escravo, como meio de proporcionar algo mais nos bolsos da tropa. Em vez de descansar no seu horário de folga, para voltar em boas condições para a jornada seguinte, esse homem ou mulher sai de seu posto de trabalho e vai para o controle do trânsito ou policiamento de ruas, a soldo do poder público municipal. Essa atividade só não e ilegal porque foi regulamentada por lei, mas causa o mesmo mal ocasionado pelo bico, que é proibido mas há muito é tolerado na corporação.

Quando vai cumprir sua jornada, o policial estressado e cansado, cuja atividade é de risco e exige decisões em fração de segundos, pode, pelo seu estado, calcular mal as ações e morrer ou, então, extrapolar e matar inocentes. Além do cansaço da jornada dupla, ele vive o drama de ser caçado pelos bandidos que prendeu ou impediu de delinquir, precisa esconder sua residência porque os inimigos da classe podem perseguir, prejudicar ou até eliminar membros de sua família. Tudo isso por um salário reconhecidamente insuficiente para viver com relativa segurança.

É esse mesmo profissional que o governo manda para solucionar confrontos político-sociais e pune severamente quando é acusado de cometimento de excesso. Quando o transgressor da ordem é ferido, a primeira coisa que se faz é acusar a ocorrência de violência policial. Mas quando a vítima é o policial, ele tem dificuldade até para o atendimento médico- hospitalar, pois o Hospital da Polícia Militar se encontra sucateado, seus médicos têm pedido baixa (demissão) da corporação e o governo, apesar de já ter feito concurso, devido a necessidade do preenchimentos dos cargos, não tem chamado os aprovados para assumir os postos.

O policial militar paulista tem uma grande missão a cumprir no estado mais rico da federação. No entanto, o seu salário é o 17º menor entre as polícias estaduais brasileiras. O governador Geraldo Alckmin tem de se sensibilizar com a situação da classe e fornecer-lhe melhores condições de salário, trabalho e retaguarda. Do contrário, terá mais dinheiro nos cofres e, em consequência, teremos, cada dia mais, homens e mulheres-bomba nas ruas exercendo a função policial. Isso não é bom para o profissional, para a população e muito menos para o governo.A situação é grave, gravíssima e carece de reflexão por parte de todos os poderes constituídos.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br

 

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