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Ruim com polícia, pior sem ela...


O estado do Espírito Santo dá ao Brasil a mais concreta demonstração da importância da Polícia Militar. Na ausência do policiamento e consequente explosão da criminalidade, a população capixaba vai à porta dos quartéis exigir volta ao trabalho, e entra em choque com os familiares dos PMs que os impedem de sair às ruas. Apesar de significativa ao demonstrar a falta que faz a polícia em atividade, a opção de pressão adotada naquele estado por melhores salários é ilegal e precisa encontrar um desfecho rápido. Militares não têm direito à greve e não podem, a nenhum pretexto, serem impedidos do exercício de suas funções. Se seus familiares os impedem de sair dos quartéis, estes têm de ser dissuadidos da ação diante do argumento da importância que os policiais, seus maridos, namorados, pais ou filhos têm para a segurança de toda a comunidade.

O relacionamento entre o estado-empregador e seus policiais militares é delicado. Até porque a força do estado é exercida pelos policiais e quando estes se rebelam, cria-se o vácuo. Há um limite de resistência entre a política e o profissionalismo, e essa barreira se quebra quando os comandantes, que são cargos de confiança do governador, não conseguem mais liderar a tropa. Por essa razão, os governantes deveriam dar mais atenção para a situação salarial, funcional, social, emocional e de saúde de seus militares, para evitar que, mesmo descumprindo leis ou regulamentos, estes venham a se insurgir ou, ainda que não parando, executem a chamada operação-padrão, onde os trabalhos são realizados sem o necessário envolvimento e, com isso, perdem a eficiência.

Diante do quadro do Espírito Santo, fervilharam nas redes sociais notícias de que o mesmo ocorrerá em outros estados. A PM do Rio de Janeiro desmentiu oficialmente a possibilidade de greve iminente. Em outros estados também há tensão, especialmente no tocante aos salários considerados insuficientes para o grau de dedicação e risco do militar no exercício de sua profissão. A crise é antiga e já produziu muitos dissabores. Nesse momento em que se discute reformas, inclusive na segurança pública, é imprescindível que os governos federal e estaduais, bem como os congressistas, busquem fórmulas de garantir remuneração condizente e condições de trabalho adequadas aos policiais estaduais. Sem isso, com certeza, a sociedade continuará assistindo o agravamento da crise no setor.

Aos contumazes críticos da polícia, fica o exemplo do Espírito Santo. Se está ruim com a sua presença nas ruas e até alguns possíveis excessos (que são apurados e punidos pela própria instituição), muito é pior com a sua ausência pois, aí, todos ficamos à mercê dos criminosos...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo

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