O clã Bolsonaro, os
bolsonaristas e os bolsominions[1]
estão acuados pela crise política surgida pelas revelações midiáticas sobre o
pedido de Flávio Bolsonaro de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para o filme
sobre o Bolsonaro/pai, Trata-se da cinebiografia “Dark Horse”[2]
sobre o “mito”, alcunha dado a ex-presidente pelos seus admiradores e
seguidores.
Eu ainda não vi trailer
do referido filme que já circula por aí. Então o que escrevo aqui são apenas
suposições de um “analista” distante do objeto analisado; porém, arrimado no
que entendo sobre biografia não fictícia de qualquer personagem da vida pública
de uma nação ou de um segmento social, escrevo algo sobre o famigerado filme.
Uma cinebiografia
(ou filme biográfico) é definida conceitualmente como “um gênero
cinematográfico que dramatiza a história real de uma personalidade (...).”
Logo, entendo que a cinebiografia de Bolsonaro deve ser fiel aos fatos que
publicamente são conhecidos do ex-capitão do Exército que se tornou presidente
da República. Do contrário, seria uma Fake News cinematográfica, coisa que
extrapola uma cinebiografia, ou mesmo um filme de ficção.
Vamos a alguns fatos que
entendemos que devam constar na cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos
anos de 1980 do Século XX, o então capitão do Exército, Jair Bolsonaro, foi
acusado de planejar atos terroristas que consistiria em explosão de bombas em
unidades militares (quarteis) do Exército e na adutora de Guandu, no Rio de
Janeiro. Segundo reportagem da revista Veja da época[3],
o
objetivo seria pressionar o comando militar por reajustes salariais, simulando esses
ataques e os imputando à esquerda. A referida revista publicou croquis
(desenhos) que detalhavam o posicionamento dos explosivos, os quais uma perícia
da Polícia Federal atribuiu à grafia de Bolsonaro.
Jair
Bolsonaro foi inicialmente condenado por um Conselho de Justificação (composto
por três coronéis) em 1988, mas posteriormente o Superior Tribunal Militar
(STM) o absolveu por falta de provas técnicas definitivas, permitindo que ele
passasse para a reserva e continuasse com a patente de capitão.
A
cinebiografia deve também mostrar a aventura parlamentar de Jair Bolsonaro que
foi deputado Federal de 1991 a 2019, com baixa produção parlamentar [4].
Diz a lenda que do total de 170 proposituras, apenas duas (02) foram aprovadas.
Ou seja, um mandato improdutivo.
Durante
esse período parlamentar, Bolsonaro passou pelos seguistes partidos, PPR, PPB, PTB,
PFL, PP, PSC e PSL. E atualmente está PL. Quem muda de partido como quem troca
de roupa, prova que não em fidelidade partidária, é bandoleiro político;
definido no sentido figurado como pessoa inconstante, volúvel, instável ou que
"foge" de compromissos. É o famoso fora da lei, traidor ideológico do
partido político, ferramenta essencial à democracia representativa no Brasil.
Durante
seu período de aventureiro parlamentar, o Deputado Bolsonaro defendeu a
ditadura civil/militar, a “tortura” desenvolvidas pelos militares que servia para
extrair confissões e informações sobre grupos de oposição e suas atividades;
defendeu os “torturadores” da ditadura militar que governou o Brasil entre
1964-1985.
Há
de se considerar que no período do governo militar mais de 50 mil pessoas foram
presas, mais de 20 mil passaram por sessões de torturas e 434 foram mortas e
desparecidas. Destacamos no rol de mortos e desaparecidos Rubens Paiva, trazido
à memória brasileira pelo filme “Ainda estou aqui”; Stuart Edgar Angel Jones,
filho da estilista Zuzu Angel; Wlademir Herzog, jornalista, professor e
cineasta brasileiro e tantos companheiros companheiras de lutas que se foram pelas
mãos dos torturadores defendidos por Bolsonaro.
Enquanto
deputado, Bolsonaro discursou que não estuprava determinada Deputada porque ela
era “feia”, demonstrando sua índole misógina, comportamento baseados em crenças
fundamentadas no ódio, aversão, desrespeito ou repulsa direcionados
especificamente às mulheres. Votou contra a todos os projetos em favor da
classe trabalhadora e os pobres do Brasil.
Enquanto
presidente seu maior feito foi fazer motociatas, gastando o dinheiro público (valor
total estimado entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões) nesses eventos particulares
que de público não tinham nada, apenas eram oportunidades de Bolsonaro de
exibir as fanfarrices presidenciais.
O
desmonte" no governo Bolsonaro (2019-2022) refere-se ao desmantelamento
intencional de políticas públicas sociais, órgãos de fiscalização e marcos
regulatórios. Desmontou os órgãos do governo em favor do meio ambiente com a flexibilização
de leis de proteção, desestruturação de órgãos como o IBAMA e o ICMBio e, com
isso, o aumento histórico do desmatamento na Amazônia e retardou o processo de reforma-agrária.
Criou o Gabinete do ódio com dinheiro público de onde disseminava as Fakes News
para sua bolha.
Durantes
pandemia de com COVID-19, receitou cloroquina e ivermectina para os infectados.
Imitou pessoas ofegantes com falta de ar, respiração curta e desconforto
respiratório nos leitos de morte dos hospitais na fase terminal sendo ceifado
pela Covid-19. Disse que não era coveiro para se preocupar com as mortes de
tantos infectados pelo maldito coronavírus. Foi responsável pela morte de 700
mil seres humanos por COVID-19.
Desacreditou
das urnas eletrônicas e tentou melar o processo eleitoral. Perdeu as eleições,
permitiu a ocupação antidemocrática nas frentes dos Quarteis de pessoas que
rezavam para pneus, invocava ETs com celulares ligados na cabeças; envolveu
militares multidões e tentou dar um golpe contra a democracia do Brasil. Foi
condenado e preso.
Será
que tudo isso e muitas outras episódios da vida pregressa de Bolsonaro vão
estar na cinebiografia “mito”? Se não estiver, trata-se de mais uma Fake News,
agora na categoria cinematográfica para cultivar ideologicamente o “gado”, nome
dado aos seus seguidores: gente sem apreço à democracia e ao Estado Democrático
de Direito. Pessoas que recentemente beberam detergente em defesa de uma
empresa que produziu o referido produto contaminado, mas era digna de defesa
pela generosa contribuição financeira à campanha eleitoral de Bolsonaro.
A
última do clã é a ligação com o banqueiro bandido que jogou dinheiro público
(dinheiro dos Fundos de Pensão e Previdência de funcionários públicos estaduais
e municipais) na produção da cinebiografia do ex-presidente.
Esperamos
que o pouco que atos e atitudes do ex-capitão sejam retratados no filme “Dark
Horse”. Porque se assim for, e o filme for um sucesso de bilheteria (o gado vai
em peso) teremos, com certeza, a indicação para o “Oscar” de 2027. Aí Jair
Bolsonaro será eternizado como “mito”. Santo para uns, Demônio para outros. É
esperar para ver!
[1] O
termo "bolsominion" é um apelido político pejorativo usado
para descrever os apoiadores mais radicais e fervorosos do ex-presidente do
Brasil, Jair Bolsonaro. A palavra é uma fusão do sobrenome
"Bolsonaro" com "minion" (termo em inglês para servo ou lacaio,
e também uma referência aos personagens da animação Meu Malvado Favorito)
[2] A
tradução literal de “Dark Horse” é "cavalo negro", mas o
significado real no inglês é "concorrente inesperado" ou "azarão".
A expressão é usada para descrever uma pessoa ou equipe subestimada que
surpreende a todos e acaba vencendo ou se destacando muito.
[3]
Revista Veja, edição de nº 996 de
outubro de 1987.
[4] “Jair Bolsonaro apresentou cerca de 170 propostas legislativas, incluindo Projetos de Lei (PL), Projetos de Lei Complementar (PLP) e Propostas de Emenda à Constituição (PEC), durante seus 27 anos como deputado federal (1991 a 2018). Desse total, dois projetos de sua autoria foram aprovados e transformados em lei.” Disponível em https://www.cut.org.br/noticias/em-27-anos-como-deputado-bolsonaro-tem-dois-projetos-aprovados-e3b2, acesso em 26/06/2026.
* ANTONIO SALUSTIANO FILHO, advogado, foi vereador, diretor do Procon-Municipal, Secretário Municipal (Controle Geral, Maio Ambiente e Governo) em Santa Bárbara d’Oeste; militantes dos Movimentos Sociais Libertários e das CEBs do Estado de São Paulo. É comentarista no Jornal da Brasil (Rádio Brasil FM 81,9)





