Nossa Sibipiruna: cada galho que caia, doía no coração...

Por Por Gilson Alberto Novaes * 23/04/2026

Hoje, 23 de abril de 2026, nos despedimos da nossa Sibipiruna (Caesalpinia pluviosa), a árvore em frente nossa casa, que plantamos há 43 anos!

A Rosani escolheu uma espécie de grande beleza e sombra para a frente de nossa casa. Ainda me lembro quando o Sr. Reolando Lelis Santana, outro ambientalista, nos trouxe em mãos aquela muda, ainda pequena.

Por 43 anos cuidamos dela, e ela nos deu flores, sombra, frescor e alegria. Plantamos uma Sibipiruna, árvore de grande porte, nativa do Brasil. Essa espécie chega a medir 28 metros de altura. A nossa devia ter um pouco menos. Sua copa pode chegar a 20 metros de largura. A nossa tinha menos que isso. Copa arredondada, linda e muito vistosa. 

(Foto: Arquivo pessoal)

A Sibipiruna é uma árvore de médio e grande porte, muito utilizada no paisagismo urbano. De setembro a outubro é a época para se colher suas sementes. Sua florada acontece de agosto a novembro! Nessa época, a frente de nossa casa ficava forrada de suas flores amarelas! Lindas... um verdadeiro tapete! 

Demoramos para decidir pela sua substituição, o que ocorreu recentemente. Há uns dez anos ela passou por um manejo, com retirada dos galhos internos - uma “poda em V”, por parte da CPFL. 

Ela continuou linda, florindo, como se nada tivesse acontecido, embora sua “belezura” tenha sido um pouco afetada.

O tempo passou e suas raízes começaram a prejudicar o alicerce da nossa casa. Buscamos então, junto aos órgãos competentes, a devida autorização para a sua substituição! Foi o que fizemos!

A medida não podia ser outra, na casa de uma Engenheira Florestal, Ecologista e Presidente da entidade ambientalista da cidade, a APASB.

Parafraseando Adoniran Barbosa, em sua melodia “Saudosa Maloca”, eu diria que, enquanto os homens da moto-serra trabalhavam, eu olhava e sentia: “cada galho que caia, doía no coração”!

Foi uma operação difícil, precisando de caminhão “munk”, retroescavadeira e muita habilidade dos operadores, pois fizemos a destoca, com a retirada de todo seu sistema radicular. 

Guardamos a maior parte dos seus viçosos troncos, pois sua madeira pode ser utilizada na construção civil, na fabricação de móveis e caixotes.

Nossos filhos cresceram desfrutando de sua sombra e beleza. Nossos netos puderam vê-la em seu apogeu. 

Concluindo: foi hoje, 23 de abril que nos despedirmos dela. 

Com tristeza, vimos cada galho caindo, doendo os nossos corações!

Vamos plantar outra. A vida é uma sucessão...


* Gilson Alberto Novaes é Professor Universitário, Advogado, Mestre em Comunicação Social e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste e é nosso colaborador.