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16/10/2020 às 09:01:00

Mulher que levou cadáver a banco é intimada; idoso teve morte natural


A mulher de 58 anos que levou o cadáver do seu companheiro de 92 anos para fazer prova de vida no Banco do Brasil no Centro de Campinas foi intimada nesta quinta-feira (15) a prestar depoimento hoje, às 9h30. Ela foi intimada ontem à tarde pela Polícia Civil após o laudo necroscópico da vítima apontar que o homem morreu cerca de 12 horas antes, de causas naturais.

O caso aconteceu no dia 2 de outubro na agência do banco que fica na Rua Dr. Costa Aguiar. Ela e outras testemunhas foram ouvidas antes, mas serão chamadas novamente após a conclusão do laudo. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Cícero Simão da Costa, a polícia também pediu as imagens de câmeras de segurança do banco e do prédio onde o casal morava, na Avenida Francisco Glicério.

No dia do ocorrido, a mulher levou o companheiro em uma cadeira de rodas para fazer a prova de vida para recebimento da aposentadoria. Ela pediu ajuda a um casal de vizinhos, que também está sendo investigado e deve depor novamente. Segundo funcionários do prédio, o homem não costumava andar de cadeira de rodas e eles moravam em apartamentos diferentes no prédio.

À polícia, ela afirmou que foi ao banco porque precisava fazer uma movimentação bancária na conta do suposto marido, com quem estaria há 10 anos, porém havia esquecido a senha de letras. A mulher seria a responsável pela movimentação da conta bancária do homem, mas não tinha nenhuma procuração para isso.  

COM PRESSA

Na agência, a mulher teria tentado ser atendida rapidamente, passando a afirmar que o idoso estava passando mal. As testemunhas acionaram o Samu, que constatou o óbito e levantou a suspeita sobre o estado da vítima, que aparentava estar morta há mais tempo devido ao estado cadavérico do corpo e por causa do inchaço dos pés.

Após essa suspeita a Guarda Municipal foi chamada e a mulher encaminhada ao 1º Distrito Policial, no Botafogo. "Ela entra em contradição quando afirma que conversou com ele pela manhã. Por isso, vamos ouvir todos novamente, agora com o laudo em mãos. Precisamos entender a razão disso, se a vítima estava muito debilitada", disse o delegado.

Outra contradição seria a afirmação de que ela comprou a cadeira de rodas no dia anterior, apesar de falar que o companheiro estava bem de saúde.

Os funcionários do prédio disseram que, de fato, o homem era pacato e costumava ficar no hall de entrada do edifício. Eles não confirmaram no entanto se o casal tinha problemas ou discutia. A mulher deve ser indiciada por por estelionato e vilipêndio de cadáver (desprezar ou humilhar corpo). O delegado não soube informar o valor da pensão.

POLICIAL

No boletim de ocorrência, a informação é que o caso ocorreu pouco depois do meio-dia, o que indica que o homem estava morto, no mínimo, desde a meia-noite do dia anterior. O homem era escrivão de polícia aposentado e viúvo. 

Em nota, a SPPREV (Pão Paulo Previdência) informou que o benefício do caso citado foi suspenso e será extinto e que possui um Núcleo de Investigações Previdenciárias que tem como objetivo detectar e investigar casos de suspeita de fraudes previdenciárias.

Além disso, o recadastramento do benefício é feito de forma presencial e deve ser realizado com um atendente da SPPREV ou com um funcionário do banco, com apresentação de documento pessoal com foto, reduzindo assim a ocorrência de fraudes.

O BANCO

O Banco do Brasil informou em nota que "atua para mitigar o risco de fraudes nos pagamentos de benefícios previdenciários com medidas como a identificação do cliente por meio de senhas, cartão e biometria. O BB esclarece ainda que cumpriu com todos os protocolos no caso da ocorrência registrada em uma de suas agências em Campinas, o que inclui a apresentação de procuração ou a presença do beneficiário na agência".


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