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INVESTIGAÇÃO

16/10/2020 às 14:10:00

Defesa de mulher que levou cadáver a banco diz que há muito para esclarecer


A advogada da mulher que levou o cadáver do companheiro morto há pelo menos 12 horas a uma agência bancária no Centro de Campinas para fazer prova de vida, Andreza Carolina Dias Amador, afirmou nesta sexta-feira (16) que Josefa de Souza Mathias, de 58 anos, está no 1º DP (Distrito Policial) para depor e que "muitas coisas precisam ser esclarecidas".

Além da suspeita, foram intimados a prestar esclarecimentos a vizinha que teria ajudado Josefa a levar Laércio Della Coletta, de 92 anos, de cadeira de rodas na agência e também a chefia da segurança do Banco do Brasil.

Por volta de 9h20, a vizinha chegou continuava no local até a publicação deste texto. Já Josefa chegou mais tarde, mas evitou a imprensa. "Precisamos apurar os fatos primeiro, vou conversar com ela, muitas coisas precisam ser esclarecidas. Ela já está aqui e deve ser ouvida hoje", disse a advogada.

O caso foi revelado nesta quinta-feira (15) quando o laudo necroscópico ficou pronto e foi recebido pela Polícia Civil de Campinas. Nele, foi constatado o óbito de pelo menos 12 horas da vítima, além da causa da morte por mal súbito. Com isso, abriu-se inquérito civil para investigar o que era, até então, um caso de morte suspeita.

Josefa deve ser indiciada por tentativa de fraude para receber o dinheiro do aposentado e exposição de cadáver. Já a vizinha foi ouvida por ter ido a agência bancária acompanhar a suspeita. Além dela, há um homem envolvido que seria companheiro da vizinha.

NO DIA 

No dia do ocorrido, a mulher levou o companheiro em uma cadeira de rodas para fazer a prova de vida para recebimento da aposentadoria. No entanto, segundo funcionários do prédio, o homem não costumava andar de cadeira de rodas e eles moravam em apartamentos diferentes no prédio.

Quando foi ouvida pela primeira vez, ela disse à polícia que foi ao banco porque precisava fazer uma movimentação bancária na conta do suposto marido, porém havia esquecido a senha de letras. A mulher seria a responsável pela movimentação da conta bancária do homem, mas não tinha nenhuma procuração para isso.

Josefa também disse que tinha conversado com Láercio pela manhã, quando ele já estaria morto segundo a perícia. Outra contradição seria a afirmação de que ela comprou a cadeira de rodas no dia anterior, apesar de falar que o companheiro estava bem de saúde. Eles eram companheiros há cerca de 10 anos.

Com a repercussão do caso, a SPPREV (Pão Paulo Previdência) informou que o benefício do caso citado foi suspenso e será extinto. O Banco do Brasil disse "que cumpriu com todos os protocolos no caso da ocorrência registrada em uma de suas agências em Campinas, o que inclui a apresentação de procuração ou a presença do beneficiário na agência".

SUSPEITA

A suspeita da morte de Láercio foi levantada pela equipe do Samu, acionada por testemunhas no banco após Josefa dizer que ele estaria passando mal. Ela tentou ainda ser atendida de forma rápida no banco, o que não acabou dando certo.

Após essa suspeita a Guarda Municipal foi chamada e a mulher encaminhada ao 1º Distrito Policial, no Botafogo.

CASO DIFERENTE

Para o responsável do Deinter 2, José Henrique Ventura, o caso é completamente diferente. "A gente pensa que já viu de tudo na polícia, mas esse é um caso 'sui generis' para nós. Porque o laudo necroscópico mostra que ele (a vítima) teria sido levado já em estado de óbito", disse ele.

Segundo o delegado, o caso demanda investigação. "Demanda saber da companheira dela em qual era o interesse dela tirar o dinheiro, se realmente vivia com ele e qual a intenção, para saber se agiu de má ou boa fé. Se ela sabia do óbito, tentou tirar o dinheiro em um sistema de fraude", explicou.

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