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Roupa amarela, semente de uva ou planejamento?


A passagem do ano novo é marcada por uma série de superstições para garantir o sucesso financeiro do ano: comer lentilha, guardar sementes de 12 gomos de uva, guardar folha de louro na carteira, dinheiro no sapato, caroços de romã, espalhar arroz cru pela casa, garantir que tenha dinheiro na carteira na passagem do ano... Essas e tantas outras simpatias são repetidas todos os anos por milhões de brasileiros que desejam passar o ano com tranquilidade financeira. Porém, a cada ano as estatísticas de endividamento só aumentam, o que nos faz refletir: o que falta para que as simpatias se concretizem?

A receita mais certeira para a tranquilidade financeira é o planejamento - e nada como um ano novinho em folha para acertar o seu. Em primeiro lugar, é necessário conhecer sua estrutura de gastos: anote tudo o que você gasta diariamente e organize as despesas em uma planilha, separando-as por categoria: alimentação fora de casa, contas da casa (energia, telefone, supermercado), escola, transporte (combustível, vale transporte, táxi), vestuário, lazer, seguros (carro, casa, vida), impostos, financiamentos e empréstimos, entre outras despesas que você identificar.

Em seguida, é necessário estabelecer metas de gastos mensais, isto é, o limite máximo do que se gastará por mês em cada categoria. Não adianta estabelecer meta de redução de imposto, porque isso não é possível. Mas dá para estabelecer meta para energia, supermercado, transporte, vestuário, entre outras despesas que dependem de suas escolhas. Com os limites, é necessário administrar as despesas diariamente: cada compra no supermercado deve ser registrada para se ter o valor do que foi gasto até aquele momento e quanto sobra para gastar até o final do mês. O ideal seria fazer o balanço diariamente, mas uma vez por semana já é suficiente para se planejar para a semana seguinte.

Uma estratégia é dividir o limite em valores semanais, ou seja, se o limite mensal para supermercado é R$ 800, então o limite semanal é R$ 200. Ou, se você faz uma compra de R$ 500 no início do mês, então sobram R$ 100 para gastar com as compras semanais de frutas e verduras. Cada vez que for ao supermercado, procure selecionar produtos que totalize no máximo esse valor estabelecido. Para atingir os limites, não esqueça de pechinchar sempre que possível, aproveitar promoções ou substituir produtos mais caros por outros mais baratos que cumpram adequadamente a função. A calculadora deve ser sua companheira constante e você pode aproveitar os aplicativos de celular para se organizar em tempo real.

Não se esqueça de incluir no planejamento as despesas que ocorrem uma vez no ano, mas que pesam consideravelmente, como IPTU, IPVA, material escolar e seguro. Sabemos que os três primeiros ocorrem no máximo em fevereiro e o seguro depende do mês de vencimento. É recomendável aproveitar o 13º salário para pagar essas despesas, ou então dividir o valor em 12 vezes e guardar um pouquinho por mês para pagar à vista. Ou seja, em 2016 você estará guardando mensalmente o dinheiro para pagar o IPTU e o IPVA de 2017. Parece tão longe, não é? Isso se chama planejamento: reservar dinheiro agora para que despesas à frente não pesem no mês.

Em vez de simpatias, que tal aproveitar a virada de ano para fazer uma promessa para você mesmo e organizar suas finanças?

* Leide Albergoni é economista, professora da Universidade Positivo e autora do livro Introdução à Economia - Aplicações no Cotidiano.

 

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