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Os estudantes, a ocupação e os infiltrados


O governador Geraldo Alckmin adotou, tardiamente, em nossa modesta opinião, a única providência sensata para a situação criada diante da pretendida reorganização escolar. Voltou atrás e demitiu o secretário que não teve habilidade para noticiar e encaminhar o processo junto à comunidade escolar. Não tivesse agido dessa forma, seria inevitável o indesejável confronto dos jovens com a polícia, com prejuízos a toda a comunidade, exceto para aqueles que, por diferentes razões, insistem em politizar a questão.

Independente de acreditar nos benefícios das mudanças propostas, o titular do governo revogou todos os atos de sua implantação e convidou a comunidade escolar para o diálogo, que faltou na tentativa de 2015 onde seus auxiliares pretenderam promover a reforma à toque de caixa e, o pior, sem ouvir a comunidade envolvida. Alunos e seus familiares viram-se, da noite para o dia, com a possibilidade de serem transferidos para prédios distantes de suas casas (mesmo estes se localizando dentro de um raio estabelecido de 1,5 quilômetro), e professores e funcionários sentiram-se inseguros quanto à garantia de seus postos de trabalho.

Os jovens deram grande exemplo de defesa de seus interesses, ocupando pacificamente as escolas. Insuflados por forças políticas de dentro e de fora da área da Educação, extrapolavam ultimamente ao bloquear vias públicas e provocar o caos urbano. A polícia, por dever de ofício, teve de desbloquear o trânsito e isso levou a cenas fortes que interessam mais aos infiltrados ideológicos do que aos alunos, aos professores e servidores e à própria polícia. A Justiça teve alta tolerância e evitou o confronto da desocupação pela força.

Agora, que o governador cedeu, vemos parte dos jovens, apoiados por fantasiosos alienígenas ao meio, tentando manter as ocupações sob argumentação suplementar. Eles precisam ser convencidos de que sua luta - de barrar a reorganização escolar imposta de cima para baixo - já foi vitoriosa e que, se permanecerem bloqueando as escolas, o farão sem uma bandeira forte para tanto. Também precisam entender que os seus oportunistas apoiadores - militantes políticos, sindicais e até artistas - querem apenas a contestação à autoridade do governo e pouco se importarão se eles (estudantes) vierem a levar a pior no confronto com a polícia. Pelo contrário, é isso que eles querem, pois dessa forma estará produzido o caos que tanto desejam para apoiar suas teses políticas e até eleitoreiras. Jovens, festejem a vitória já conseguida e estejam prontos para a discussão da reorganização escolar no próximo ano. A reorganização é um instrumento necessário, moderno e precisa ser implantada. Mas deve ser proposta, discutida e resultado do consenso entre autoridades, professores, alunos e pais de alunos.


Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br

 

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