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Michel Temer e a reeleição


A entrevista do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que atribui ao presidente Michel Temer (PMDB) a condição de candidato à reeleição em 2018 é, pelo menos inoportuna. Vem no momento em que o Senado avança na reta final do processo de impeachment da presidente Dilma que, se aprovado, efetivará Temer na Presidência da República. Especular sobre uma situação que ainda é condicional, como o governo efetivo do peemedebista, além de perda de tempo, é criar tensão e desconfianças na base aliada do governo. Isso, sem falar que o próprio governante tem repetidas vezes dito não pretender a reeleição, e do fato adicional de, antes da eleição geral, ainda termos a municipal, prevista para outubro, que poderá trazer muitas alterações ao panorama político.

Investido na presidência da Câmara e, como tal, colocado como o primeiro na linha de sucessão presidencial, Maia precisa ser mais econômico no exercício da futurologia política. Por melhor intenção que tenha, não pode atropelar os acontecimentos. O cargo que hoje detém lhe confere mais força do que muitos imaginam, exigindo cuidado para não causar estragos decorrentes da movimentação abrupta ou descuidada.

Temos pela frente grandes questões a resolver para com elas recolocar o país nos eixos. Além da solução para o impeachment e a reaquisição da governabilidade perdida, há que se observar atentamente o que ocorrerá na prática das eleições municipais que, com novas regras, deverá servir elementos para o processo das futuras escolhas de governantes e membros das casas legislativas. Há, ainda, a discussão já lançada sobre o custeio dos partidos políticos e sua participação nos governos. São coisas pendentes na pauta nacional, que exigem soluções.

Para atender aos imperativos do momento e não enfrentar problemas que possam atrapalhar a ação do seu governo, espera-se que o presidente Michel Temer convoque sem demora a rede nacional de rádio e televisão e declare com todas as letras que está comprometido com a governabilidade do país e portanto não será candidato em hipótese alguma à reeleição. Destaque a grande tarefa que o destino colocou sobre seus ombros, de tirar o país da grave crise econômica, política e ética. E, com isso, tenha forças para capitanear a recuperação nacional para, ao final de 2018, entregar o poder ao sucessor legitimamente eleito. Se cumprir só essa tarefa, sem pensar e nem admitir reeleição ou continuidade, a história, com certeza, o reconhecerá como um verdadeiro estadista...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associaçãode Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

 

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