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Dia Mundial do Meio Ambiente: temos motivos para comemorar?


Domingo, 05 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, que teve origem em Estocolmo, em 1972, onde aconteceu a Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano. Após esse acontecimento, a ONU estabelece anualmente um tema com o objetivo de aumentar a conscientização da sociedade.

Durante a Semana do Meio Ambiente, as Prefeituras, ONGs e empresas desenvolvem atividades como, por exemplo, limpeza de praias, plantio de árvores, oficinas de reciclagem, coleta seletiva, distribuição de panfletos, palestras de conscientização, entre outras ações, que visam aumentar a educação e importância do tema na comunidade.

Mas a conjuntura atual é caótica. Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), de 1990 a 2015: Houve uma redução de 55 mil hectares em nossas florestas. A Mata Atlântica se encontra muito fragmentada, o que afeta nossa taxa de estocagem de carbono. Ainda segundo a ONU, o desastre ambiental ocorrido em Mariana atingiu Minas Gerais, Espírito Santo, chegando ao Sul da Bahia com efeitos extremamente danosos, relacionados ao material tóxico que se deslocou por 850 km.

Outro item que chama atenção refere-se à pesca excessiva e a poluição marinha, o que causa \"zonas oceânicas mortas\", visto que não há sobrevida graças a baixa taxa de oxigenação, afetando a biodiversidade marinha. Os estados mais atingidos são Rio de Janeiro, São Paulo e Recife.

O único item em que o Brasil teve destaque positivo é que 50% da população tem conhecimento sobre a perda da biodiversidade, porém, em que resulta tal índice?

Sem falar que a crise hídrica do Sudeste em 2015, que apesar de pontual afetou todo o país, e não foi mencionada no PNUMA.

Nossos problemas ambientais são reais e graves, porém, as ações corretivas são bastantes restritas ou inexistentes. Em breve, o país receberá as Olimpíadas e os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil. No entanto atletas, correm risco de se contaminarem durante as provas aquáticas em águas poluídas.

A ONU tem uma visão global bem realista e abrangente do nosso país, espero que nós brasileiros também.

Portanto, no dia 05 de junho, deveria ser feito um movimento a fim de cobrar ações efetivas dos nossos governantes. De nada adianta protocolos, conferências e tratados se nada sai do papel. Acredito que neste ano, não temos motivos para comemorar, visto que fizemos muito pouco ou quase nada, em prol do Meio Ambiente.

Marcia Ramazzini é engenheira civil pela PUC Campinas, engenheira em segurança do trabalho e meio ambiente pela Unicamp e mestranda em Saúde Ocupacional também pela Unicamp. Tem especializações em Riscos Industriais e Construção Civil pela OSHA (Occupational Safety Health Administration), Ministério do Trabalho dos Estados Unidos. Marcia é diretora da Ramazzini Engenharia e tem 20 anos de experiência de mercado.

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